A cirurgia de próstata é um procedimento que pode ser indicado em diferentes situações, principalmente no tratamento do câncer de próstata e, em determinados casos, de alterações benignas que provocam sintomas urinários importantes. Apesar de ser uma cirurgia bastante conhecida, é natural que o paciente e seus familiares tenham dúvidas sobre como o procedimento é realizado, quanto tempo dura a internação, como funciona o uso da sonda e quais cuidados são necessários durante a recuperação.
É importante destacar que existem diferentes tipos de cirurgia prostática. A técnica escolhida depende do diagnóstico, do tamanho e das características da próstata, da extensão da doença, da idade, das condições gerais de saúde e dos objetivos do tratamento. Por isso, todas as orientações devem ser individualizadas pelo urologista.
A seguir, esclarecemos algumas das dúvidas mais frequentes relacionadas ao procedimento e ao período pós-operatório.
Quando a cirurgia de próstata pode ser necessária?
Uma das principais indicações para a retirada completa da próstata é o câncer de próstata localizado ou selecionados casos de doença localmente avançada. Nesse contexto, o procedimento é chamado de prostatectomia radical e envolve a retirada da próstata e, geralmente, das vesículas seminais. Dependendo do caso, também pode haver abordagem dos linfonodos próximos.
Por outro lado, pacientes com hiperplasia prostática benigna podem necessitar de procedimentos diferentes, que têm como objetivo retirar ou reduzir o tecido prostático responsável pela obstrução do fluxo urinário.
Portanto, falar simplesmente em “cirurgia de próstata” pode envolver procedimentos bastante diferentes. O primeiro passo é compreender qual é o diagnóstico e qual cirurgia foi recomendada.
Como é feita a cirurgia para câncer de próstata?
A prostatectomia radical pode ser realizada por diferentes abordagens. Entre elas estão a cirurgia aberta, a laparoscópica e a cirurgia assistida por robô.
Na prostatectomia aberta, o cirurgião realiza uma incisão para acessar e remover a próstata. Já nas técnicas laparoscópica e robótica, são realizadas pequenas incisões no abdômen pelas quais são introduzidos instrumentos cirúrgicos.
Atualmente, a abordagem robótica é amplamente utilizada em centros que dispõem dessa tecnologia. A Mayo Clinic informa que, em comparação com a prostatectomia aberta, a cirurgia assistida por robô pode estar associada a menor perda de sangue e dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Entretanto, a escolha da técnica deve considerar as características de cada paciente e a avaliação da equipe médica.
Quanto tempo dura a cirurgia?
A duração varia conforme o tipo de procedimento, a técnica empregada, a anatomia do paciente e a complexidade encontrada durante a operação.
Por esse motivo, não existe um tempo único aplicável a todos os pacientes. Antes do procedimento, o cirurgião poderá fornecer uma estimativa levando em consideração o planejamento realizado a partir dos exames disponíveis.
Além do tempo propriamente cirúrgico, é preciso considerar a preparação para a anestesia e o período de recuperação anestésica.
Qual anestesia é utilizada?
Cirurgias como a prostatectomia radical são realizadas sob anestesia, e o planejamento anestésico é definido pela equipe responsável conforme o procedimento e as condições clínicas do paciente.
Antes da operação, geralmente ocorre uma avaliação pré-operatória para identificar doenças preexistentes, medicamentos em uso, alergias e outros fatores relevantes para a segurança do procedimento.
Medicamentos anticoagulantes, antiagregantes e outros remédios podem exigir orientações específicas. Nenhum medicamento deve ser suspenso ou alterado por iniciativa própria: essa decisão precisa ser feita pelos profissionais responsáveis pelo tratamento.
Quanto tempo o paciente fica internado?
O período de internação depende da técnica cirúrgica e da evolução clínica. Em uma prostatectomia robótica, por exemplo, muitos pacientes podem receber alta aproximadamente um ou dois dias depois do procedimento, desde que estejam em boas condições clínicas.
Durante a internação, a equipe acompanha aspectos como controle da dor, alimentação, funcionamento do sistema urinário, mobilidade e possíveis sinais de complicações.
A caminhada costuma ser incentivada precocemente, muitas vezes no mesmo dia ou no dia seguinte à operação, conforme orientação médica. Essa mobilização faz parte dos cuidados de recuperação e deve sempre respeitar as condições individuais do paciente.
É necessário utilizar sonda depois da cirurgia?
Essa é uma das dúvidas mais comuns. Após a prostatectomia radical, normalmente é utilizado um cateter urinário, conhecido popularmente como sonda.
O cateter permite a drenagem da urina enquanto a região operada cicatriza. Na prostatectomia, a uretra precisa ser novamente conectada à bexiga após a retirada da próstata, e a sonda ajuda durante esse período inicial de recuperação.
Em muitos casos, o paciente recebe alta ainda utilizando o cateter. Segundo informações da Mayo Clinic, após uma prostatectomia ele pode permanecer aproximadamente de 7 a 14 dias, embora o período exato seja definido pelo cirurgião conforme a evolução de cada paciente.
É fundamental seguir as orientações sobre higiene, posicionamento da bolsa coletora e cuidados para evitar tração ou obstrução da sonda.
Como é o pós-operatório em casa?
Nos primeiros dias, o organismo ainda está se recuperando da cirurgia e da anestesia. Algum desconforto pode ocorrer, sendo controlado com os medicamentos prescritos pela equipe.
Atividades leves e pequenas caminhadas podem fazer parte da recuperação, enquanto esforços intensos e levantamento de peso normalmente precisam ser evitados durante determinado período.
O retorno ao trabalho também depende da atividade profissional. Uma pessoa que trabalha sentada pode receber orientações diferentes de alguém que exerce uma profissão que exige esforço físico.
De maneira geral, a recuperação é progressiva. Em informações destinadas a pacientes submetidos à prostatectomia, a Mayo Clinic aponta que muitas pessoas estão em grande parte de volta à rotina habitual aproximadamente quatro a seis semanas depois da cirurgia, embora existam diferenças importantes entre os pacientes e entre as atividades realizadas.
Pode ocorrer perda de urina depois da cirurgia?
Sim. A incontinência urinária é um possível efeito da prostatectomia radical. Nas primeiras semanas depois da retirada da sonda, alguns pacientes podem apresentar escapes de urina, especialmente durante atividades que aumentam a pressão abdominal.
A evolução varia consideravelmente. O controle urinário pode melhorar progressivamente durante a recuperação, e exercícios orientados para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico podem fazer parte do acompanhamento.
O acompanhamento médico é importante para avaliar a intensidade da perda urinária e determinar se medidas adicionais são necessárias.
A cirurgia pode afetar a ereção?
A disfunção erétil é outro possível efeito da prostatectomia radical porque estruturas nervosas importantes para a ereção estão muito próximas da próstata.
Em determinados casos, é possível utilizar técnicas de preservação dos feixes nervosos. A possibilidade de preservá-los depende, entre outros fatores, da localização e das características do tumor.
A recuperação da função erétil não ocorre da mesma maneira para todos. Idade, função sexual antes da operação, condições gerais de saúde, extensão da doença e possibilidade de preservação dos nervos podem influenciar o resultado. A recuperação pode continuar ao longo de meses e, para alguns pacientes, por período superior a um ano. Existem ainda diferentes estratégias terapêuticas que podem ser discutidas com o urologista durante o acompanhamento.
O paciente continua ejaculando após a prostatectomia radical?
Na prostatectomia radical, a próstata e as vesículas seminais são removidas. Como essas estruturas produzem grande parte do líquido seminal, o paciente deixa de apresentar a ejaculação da forma que ocorria antes da cirurgia.
Isso não significa necessariamente que a capacidade de ter orgasmo seja eliminada. Entretanto, podem ocorrer mudanças na experiência sexual, que devem ser explicadas antes do procedimento para que o paciente saiba o que esperar.
Também é importante discutir questões relacionadas à fertilidade antes do tratamento quando existir desejo de ter filhos no futuro.
Quais sinais merecem atenção durante a recuperação?
Embora determinados desconfortos façam parte do período pós-operatório, alguns sinais exigem contato com a equipe médica. Entre eles podem estar febre, piora importante da dor, alterações na incisão, dificuldade ou incapacidade de urinar depois da retirada da sonda, redução importante da drenagem pelo cateter, presença de coágulos relevantes ou alterações que sugiram infecção.
Falta de ar, dor no peito ou sinais compatíveis com trombose também exigem avaliação médica imediata.
O paciente deve receber instruções específicas na alta sobre quais sintomas observar e como entrar em contato com a equipe responsável.
Quando é possível voltar às atividades normais?
O retorno deve acontecer gradualmente. Caminhadas leves podem ser estimuladas desde o início, enquanto exercícios intensos, academia, corrida, bicicleta, levantamento de peso e outras atividades que exigem esforço geralmente precisam aguardar liberação médica.
O mesmo vale para dirigir e retomar a atividade sexual. Não existe uma data universal adequada para todos os pacientes.
O acompanhamento após a cirurgia também é importante para verificar a cicatrização e, nos pacientes tratados por câncer, acompanhar os resultados do tratamento. Exames de PSA fazem parte do seguimento após a prostatectomia radical, com periodicidade determinada pelo médico responsável.
A importância de esclarecer as dúvidas antes da cirurgia
Receber a indicação de uma cirurgia de próstata pode gerar preocupação, principalmente quando o procedimento está relacionado ao diagnóstico de câncer. Informação adequada ajuda o paciente a compreender cada etapa e participar das decisões sobre o próprio tratamento.
Na consulta pré-operatória, vale conversar sobre o tipo de cirurgia recomendado, técnica utilizada, tempo esperado de internação, necessidade de sonda, controle da dor, limitações durante a recuperação, possíveis alterações urinárias e sexuais e planejamento do acompanhamento posterior.
Para informações sobre avaliação urológica e tratamentos relacionados à próstata, também é possível consultar o site drrodolfoborges.com.br, do Dr. Rodolfo Garcia Borges.
Conclusão
A cirurgia de próstata envolve muito mais do que o momento do procedimento. Preparação, internação, cuidados com a sonda, recuperação em casa e acompanhamento médico são etapas igualmente importantes.
Na prostatectomia radical, alterações temporárias ou persistentes no controle urinário e na função erétil estão entre as questões que mais geram dúvidas. A intensidade e o tempo de recuperação, entretanto, variam de acordo com as características de cada paciente e do tratamento realizado.
Por isso, manter um diálogo aberto com o urologista é fundamental. Compreender antecipadamente o procedimento, saber quais cuidados serão necessários e reconhecer sinais que precisam de avaliação médica tornam o período de recuperação mais organizado e ajudam o paciente a participar ativamente das decisões relacionadas à própria saúde.